quinta-feira, 26 de julho de 2012

Estive pensando cá com meus botões...

Quando eu era criança, aprendi com meus pais que coisas boas viriam se eu fosse uma boa menina. Precisava ter boas notas para ter um bom histórico escolar. Precisava de um bom histórico para ser vista como inteligente. Precisava ser vista como inteligente para ter boas oportunidades na vida e assim poder ter ser adulta com dignidade.
Como toda boa menina, ouvi meus pais e passei muito tempo da minha infância e juventude me dedicando a ser uma boa menina. Não tive por isso, muitas partes divertidas em ser jovem. Nunca me meti em confusão. Nunca me machuquei fisicamente. Não tenho muitas histórias interessantes para contar. Sempre tive uma vida comum, sem muita novidade, com muita rotina e totalmente previsível. Só o "final" que não foi tão previsível assim.

Hoje, com 24 anos, quase 25, vejo que a vida não sorri apenas para as " boas meninas". E muitas vezes, a vida sequer sorri para elas. Vejo que várias pessoas têm boas oportunidades e são adultos dignos sem passar metade do tempo que eu passei me dedicando em ser boa o suficiente para receber sempre o " parabéns" dos meus pais, família e demais pessoas que estivessem me observando. Não os culpo, pois eles acharam que estavam fazendo o melhor que podiam por mim. E talvez estivessem fazendo mesmo. Tudo isso serviu ao menos para eu aprender algumas coisas sobre a vida.

A vida não tem uma receita de sucesso. Não quer dizer que se você se dedicou vai colher os frutos disso rápido. Talvez, nem colha os frutos que esperava mesmo, colha outros. Melhores ou piores.
Não quer dizer também que, se você não se comportou tão bem assim, está fadado ao fracasso. Muitas vezes você terá muito mais sorte e receberá muito mais do que quem aparentemente merecia muito mais que você.
Quase sempre, nada é linear. Nada é "normal". A vida não tem um roteiro definido e a meritocracia nem sempre será algo visível aos seus olhos. A meritocracia, na verdade, quase nunca acontecerá de forma esperada.

Falta de justiça? Não, eu não quero falar sobre isso. Não consigo falar sobre justiça sem parecer pessimista e juíza dos atos e vida dos outros nesse tipo de questão. Prefiro pular essa parte.

No fim das contas, tudo isso pode trazer boas surpresas, ou não. Pode ser melhor do que você imagina, ou pode ser um grande fiasco. As coisas podem ou não acontecer para você. Muitas vezes isso não dependerá de como você foi no passado, mas sim de como você encara as coisas no presente. Isso pode soar um pouco pessimista, mas não é a intenção. Muito pelo contrário, é uma tentativa de encarar melhor o que me tem sido apresentado.

Por isso, acredito hoje que não há a necessidade de se preocupar tanto em ser uma "boa menina". Em fazer as coisas como elas supostamente devem ser feitas.
A vida não segue muitas e grandes regras. A vida não segue nada. Muito menos segue o nosso próprio senso de justiça.
Essa é a grande questão.

4 comentários:

Victoria disse...

Ótimo texto! Adoro quando você atualiza o blog e adoro ler suas palavras.
Eu não vou opinar demais, porque você sabe bem que a vida não tem sido fácil comigo, e talvez eu não tenho colaborado tanto pra que melhore.
A única coisa que me vem à cabeça é "life is a bitch". Alguns tem sorte, outros simplesmente, não.
Te amo amiga!

Rê Lopes disse...

Obrigada, amiga!
Não gosto de pensar em sorte, me sinto impotente. Mas, vai ver é isso mesmo. Já não sei de mais nada. rs. Beijos!! Te amo!!

Thaís Alves disse...

Irmã, vi seu post e mesmo sem estar ligada nos blogs há mto tempo, tive que ler e agora tenho que comentar. Discordo muito solenemente de você...rs Não apenas ideologicamente, mas até mesmo espiritualmente. Acredito sim que há um tipo de equilíbrio no Universo em que colhemos aquilo que plantamos. Que boas coisas acontecem à boas pessoas. Mas aí entra o que você considera ser uma boa menina. Ser uma pessoa boa em momento nenhum significa ser uma pessoa totalmente crédula, ou que se anula em benefício de outros. A verdade é que quando somos bons (nos estudos, no trabalho, na vida pessoal) boas coisas se apresentam o tempo inteiro. Mas nem sempre as escolhemos. E deixamos muitas coisas passarem porque acreditamos que naquele momento o melhor está em alguma outra coisa, que pode ser um erro ou não. E aí o que vem ou deixa de vir depois disso, mais uma vez é resultado das nossas escolhas e não da injustiça da vida. Vamos lá... exemplificando por mim mesma. Quantos intercâmbios deixei de fazer para melhorar minha vida porque não queria deixar o namorado? Quantos "namorados" magoei para agradar a alguém que me magoou depois? Por que já abandonei um emprego maravilhoso em outro estado pra não ficar longe dos meus amigos e família? Por que desisti de aceitar um convite para trabalhar na Bélgica (e comer aquele chocolate maravilhoso) pq amava o Rio de Janeiro e minha vida boêmia, pra 2 anos depois estar morando numa cidade pequena por um grande amor?

Eu poderia pensar no que perdi... empregos bons, carreira sólida, muito dinheiro, muitas viagens malucas com gente doida, muitos shows e muitos eventos na Lapa...rs
Tudo poderia ser diferente, mas será que por isso seria melhor? É uma coisa que nunca irei saber, mas não posso culpar a injustiça da vida, e sim as minhas próprias escolhas. E assim ocorre com todo mundo. Estas opções estão aí pra todo mundo que batalha um pouco por elas.

Mas eu prefiro pensar em tudo o que ganhei com elas. Mesmo as escolhas das quais me arrependi e que me fizeram melhor e mais forte. Mais consciente para as escolhas futuras.

E o que eu ganhei é tudo o que me faz feliz hoje.

E se eu não estivesse feliz, seria apenas buscar, fazer escolhas diferentes e mudar tudo de novo. A gente sempre pode recomeçar.

O que não dá é para fazer sempre as mesmas escolhas e esperar respostas diferentes da vida. Não basta ter um bom coração sem atitudes de fato que nos levem a alcançar os objetivos.

E você é uma mulher linda e forte que eu sei que vai tomar as rédeas de qualquer que seja a situação.

Amo vc.
Bjs

Quel disse...

"A vida nao segue nada."

Voce falou ai muitas coisas que eu tambem já concluí. Mas eu ainda nao consigo "encarar melhor o que tem sido apresentado". Ainda to com vontade de encontrar com a vida num beco escuro e enxer ela de porrada!

Beijos!