quarta-feira, 25 de maio de 2011

Numa manhã de outono, ganhei um presente.


O Guardador de Rebanhos, Poema II -
O meu Olhar
Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa (1888-1935)

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...


A questão é a gente lembrar disso antes de enlouquecer...
Presente da Thais Tanure, minha amiga de trabalho e de filosofia.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Uma tarde pra vida inteira.




Aí cheguei na rodoviária e comprei passagem pro próximo ônibus. Ele saía daqui 15 minutos, ainda tinha um tempinho pra buscar uma água. O destino era uma cidadezinha no sul de Minas Gerais, 4 horas da Capital Belo Horizonte.

Sentei na janela e coloquei meus fones de ouvido. No mp3 tocava MPB, enquanto meus olhos percorriam as paisagens, as serras, as casinhas no meio do nada. Enquanto isso pensava na minha vida, na profissão que escolhi, na pessoa que eu estava me tornando, nas opiniões que eu tinha sobre questões cotidianas. Era um bom momento para rever meus pensamentos.

Porém foi quando meus olhos se abriram e percebi que já havia chegado no meu destino. Do outro lado da rua já se encontrava um hotel, simples, porém aconchegante. Deixo a mochila no quarto e vou caminhar pela cidade. Como toda cidade do interior tem uma igreja, uma praça, uma rua que vai, uma que vem e alguns butecos. Sigo pela rua principal até cair numa estradinha de terra, na qual resolvo me aventurar a caminhar mais um pouco. Ao andar pela estradinha, encontro no meio do mato uma cerca e uma casinha lá no fundo. Vou até a porta da casinha e bato palmas: " hô de casaaa", grito.

É aí que me surpreendo. A porta se abre e sai de dentro da casa uma senhorinha sem nenhum dente na boca, sorrindo o sorriso mais simples e verdadeiro que eu poderia imaginar, dizendo:
" Minha neta querida! Como você demorou a chegar! Entra, vamos tomar um cafezinho..." Mesa farta com bolo de fubá, queijo, pão caseiro, leite e café fresquinho. A casa era simples, mas muito bonitinha. Várias fotos antigas pelas paredes, um sofá coberto de crochê colorido, um cachorro na porta dormindo. Fogão à lenha e um quartinho com uma cama e um armário. Tudo parecia ser do século retrasado, mas nem por isso estava precário.

Passei uma tarde super agradável, tomando o café da dona Maria e ouvindo suas histórias, afinal não tive coragem de desmentir a história de eu ser sua neta, coitadinha...

Ao chegar no hotel, pergunto ao gerente se ele sabia da tal velhinha. Ele me disse que a velhinha morava sozinha, mas todos os dias algum funcionário do hotel ia vê-la, já que toda a família foi embora e nunca mais ninguém voltou. A Dona Maria vive só desde então, adotando todas as pessoas na cidade como seus netos, filhos, noras, parentes em geral. " Ela sabe que você não era neta dela, mas não se permite viver na solidão. E na verdade, ela é a menos sozinha mesmo, ela tem o mundo inteiro pra ser parente. A gente devia ser assim também né? Agir como se todo mundo fosse parente, o mundo ia ser melhor né? Disse o gerente.

Vó sempre ensina algo que a gente já sabe, no final das contas, mas nunca aprendeu de fato.

post inspirado do blog da Laurinha, minha querida amiga.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Man, I feel like a woman!



A partir de um comentário meu no Facebook, resolvi resenhar mais sobre o assunto: Ser mulher não é tarefa pra homem mesmo, rs.

Olha, vou dizer... A gente desde pequena já é treinada pra cuidar de filho, da casa, e agora com essa moda de " direitos iguais" ainda temos que fazer faculdade e trabalhar.
Ainda teve algum FDP que inventou que mulher tem que andar de salto alto, tem que ser magra, tem que passar maquiagem, tem que ser doce, ser puritana, ser virgem, não ser galinha, não ligar pro cara no dia seguinte, tem que depilar, sempre comprar roupa nova, bla bla bla. E homens, não me venham com esse papo de que " ah, mulher faz isso tudo por que quer..." hãn hãn. Vamos nós agir como os homens, peludos, sem adornos, as mesmas roupas e tal pra ver se vocês vão continuar gostando da gente. Homem gosta de mulher porque, exatamente não somos homens, não agimos como eles, não nos descuidamos como eles e etc.

Se você não podia chegar tarde em casa até completar 21 anos, enquanto seu irmão podia virar a noite desde os 15, agradeça ao seu lindo PAI, que cuidou da princesinha intocável enquanto libertava o Gladiador dele. Se na sua lista de amores não tem mais que 5 nomes, agradeça à sociedade da moral cristã que denomina a mulher que fica com vários homens de piranha, enquanto o homem pegador é muito macho. O adultério masculino é normal né? Afinal, ele é homem...

As mulheres ainda sangram uma vez por mês, durante 7 dias mais ou menos e não morrem ( pasmem!) e sentem dores. Ainda vem a maldita da TPM e abala todas as estruturas psicológicas das nossas cabecinhas. O que era bom, vira ruim, quem te amava, te odeia, o futuro fica incerto, você não sabe se seu curso na faculdade te satisfaz, e ainda tem que lidar com um cabelo que não te gosta e trabalha contra você, tenho certeza.

Ainda tem quando fica grávida, ahh que lindo. O milagre da vida!
ÓTIMO.
Engordamos, vomitamos, ficamos inchadas, não podemos pintar os cabelos, nem fazer progressiva ( ai que medo), chega o dia do parto vem as dores, as infecções, sua feminilidade ( se é que me entendem) nunca mais fica a mesma, você ganha um tamagoshi eterno e que ainda fala "papai" primeiro depois de tudo o que você passou.

E daí pra frente, só piora minha filha. A gravidade age, e pra lutar contra ela muito dinheiro é gasto, academia, botox, silicone, bla bla bla, enquanto teu lindo marido engorda no sofá e tá tudo bem.

As poucas regalias que tínhamos foram jogadas ao fogo junto com os sutiãs das malditas que nos fazem hoje pagar metade das contas, dividir a prestação do apartamento, dirigir horas num trânsito caótico, trabalhar em 2 turnos ( na rua e em casa) e carregarmos pesos. Cavalherismo, ma chèrie, it's GONE!

Minhas opiniões construindo um mero desabafo.
Não tô revoltada nem nada não... só constatando algumas coisas.
Mas ser mulher é legal, Ê.