quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Da construção do conhecimento como prática cotidiana




Estava eu a estudar pro concurso de professor de História do município de BH quando me deparei com um texto inspirador que me fez pensar em algumas coisas.

Como professora, enfrentarei diversos desafios dentro de sala de aula. Um deles é o de compreender e acolher as diferenças entre os alunos, cada vez mais heterogêneos, sem contudo transformá-las em desigualdades. O contato com o outro e o que isso traz de interessante para a formação da sociedade é um dos objetivos de se estudar história. Cada vez mais estou certa de que estou no lugar certo, pois minha vida inteira foi de conflitos de idéias dentro de mim, conflitos esses que me fazem ser cada dia mais um ser pensante e não simplesmente assimilador de tudo que me é imposto.

É preciso que docentes, não só de história, mas principalmente eles por serem os portadores do dom de discursar, tenham uma ação educativa para a valorização cultural e compreensão de que nem sempre o que sempre foi ensinado é o mais importante. Quero dizer que todo plano de conteúdos e divulgações de "fatos históricos" sempre foi arbitrário, sempre trazendo consigo uma intenção ou uma valorização intencional de o que quer que seja.

Uma das potencialidades do conhecimento histórico é trazer o encontro com o outro, o diferente, o que viveu em outras épocas ou até o próprio contemporâneo, mostrando que todos os seres são sujeitos históricos, inclusive nós mesmos.

Por tudo isso se faz tão necessário a discussão, o diálogo, a análise de semelhanças, diferenças, mudanças e permanências no âmbito temporal, do entendimento dos discursos humanos historicamente construídos para começarmos a vivenciar de fato a cidadania, o ser cidadão. É preciso que esses conceitos sejam cada vez mais introduzidos em sala de aula e não apenas o cumprimento do programa que inclui o trabalho de todas as páginas do livro didático. É preciso dedicar tempo às práticas supracitadas para que preconceitos, atitudes xenófobas e e etnocêntricas fiquem cada vez mais longínquos da realidade, uma vez que é por atitudes como estas que o conflito com o outro e a vontade de eliminar e segregar o diferente está cada vez mais presente, quanto mais são conhecidos mundos diferentes. A marcha deve ser contrária. O debate histórico é fundamental para mudar a realidade e promover a transformação social, pra uns utopia, pra mim exercício.